Quem diz a verdade sobre a comida merece um selo

A verdade sobre a comida e sobre quem nos alimenta. É isso que o canal Do campo à mesa busca e defende.

Nesse intuito, preparei um questionário para a indústria de alimentos, com questões sobre qualidade, saudabilidade, sustentabilidade e comunicação. São perguntas pensadas com o objetivo de comparar o que as empresas dizem e fazem nessas áreas.

Parti da premissa de que as empresas mais transparentes terão mais disposição e facilidade para responder as perguntas do que as que têm segredos a esconder. Aquelas que têm medo da verdade provavelmente dariam uma desculpa qualquer para não participar. Mas também previ  que empresas muito pequenas não teriam condições de responder tão logo, seja por falta de pessoal para isso ou por pouca familiaridade com o mundo da comunicação empresarial.

Coloquei as questões num formulário do Google e configurei o formulário para que quase todas as questões sejam obrigatórias, com exceção daquelas em que sugiro que o respondende anexe documentos.

Comecei a enviar o link a empresas de diversos portes atuantes no Brasil, inicialmente dos segmentos de lácteos, chocolates e sorvetes, por meio das assessorias de imprensa, departamentos de marketing ou proprietários. No e-mail enviado às empresas, informo quem sou eu e qual o objetivo do questionário. Também peço que a empresa me responda se pretende respondê-lo, e quando.

Várias empresas me procuraram de volta querendo saber qual é o meu prazo. É praxe na comunicação com assessorias de imprensa perguntar isso ao jornalista, porque normalmente os veículos de imprensa sabem quando vão publicar a matéria. Não é meu caso. Esclareci que não estou impondo prazo algum. Sei que responder o questionário pode ser trabalhoso, então deixo que as empresas decidam de quanto tempo precisam. Com isso, elimino a chance de elas darem a desculpa da falta de tempo para decidir não responder. Quem não quiser participar terá de dar outra desculpa que não a do prazo apertado.

Várias optaram por não responder alegando que os dados sobre faturamento e número de funcionários que solicito logo no início do formulário são confidenciais. Ora, neste caso basta preencher o campo da resposta justificando a omissão do dado. Foi exatamente isso que fez a primeira empresa a responder o questionário. Se pedi esses dados, foi para ter um parâmetro de comparação de porte entre as empresas. Não precisa deixar de responder o questionário inteiro só por causa desses pedidos iniciais.

E avisei no e-mail que há uma regra importante: todas as respostas devem ser dadas dentro do formulário. Respostas fora dele não serão aceitas. Isso porque as assessorias de imprensa frequentemente ignoram perguntas enviadas por jornalistas e enviam como resposta um texto único que enche linguiça e não responde nada. Textão enchendo liguiça, portanto, também não vale como resposta.

Na análise das respostas, pretendo dar grande importância à forma como a empresa preferiu interpretar as perguntas. Suspeito que haverá empresas interpretando perguntas erroneamente de propósito, para dar uma resposta vaga qualquer no lugar da informação que estou solicitando. Quando isso acontecer, farei questão de apontar.

Tomara que eu tenha boas surpresas e receba muitas respostas corretas, completas e transparentes. O que eu quero mesmo é descobrir quais empresas estão prontas para contar tudo que queremos saber, sem medo da verdade. Estas, acredito eu, terão boas razões para merecer nosso reconhecimento, nosso apreço e nosso dinheiro. Pelo menos enquanto suas verdades permanecerem louváveis e disponíveis.

Se tudo der certo, os resultados desse projeto serão apresentados em novos conteúdos, em breve. Acompanhe!

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