O tema do vídeo acima é a publicidade infantil.
Proteger as crianças contra assalto, pedofilia ou qualquer outro tipo de abuso é responsabilidade exclusiva do pai e da mãe? Não. Então protegê-las da publicidade abusiva também não é.
Dirigir a publicidade aos adultos é o melhor jeito de deixar os pais decidirem o que a criança deve ou não consumir.Quando os pais cedem à insistência de uma criança pra comprar alguma coisa, eles estão deixando de decidir por conta própria, segundo os próprios critérios, e estão aceitando decidir sob a pressão de uma criança que foi teleguiada, hipnotizada, abduzida pela publicidade. As empresas acham isso ótimo para os negócios delas, e por isso estão adiando ao máximo cumprir a proibição da publicidade infantil, preferindo partir para a autorregulação.
Eis o texto do compromisso assinado por um grupo de empresas de alimentos e bebidas no fim de 2016:
 

Carta à sociedade – Compromisso pela Publicidade Responsável para Crianças
Vivemos uma realidade em que indivíduos, empresas e demais instituições estão cada vez mais conectados, seja pela teia de relações que os envolvem ou pelo já consolidado cenário das mídias sociais. Da Era da Informação à Era da Atenção, conquistar a audiência e o engajamento se torna imperativo. Diante desse cenário, o tema da exposição e da responsabilidade sobre veiculação de conteúdos ganha cada vez mais relevância.
Reconhecendo a importância do nosso papel na discussão sobre a autorregulação da publicidade para crianças, nós, empresas do setor de alimentos e bebidas não alcóolicas, signatárias desta Carta (Coca-Cola Brasil, Ferrero, General Mills, Grupo Bimbo, Kellogg, Mars, McDonald’s, Mondelez_International, Nestlé, PepsiCo e Unilever), nos reunimos para pensar o tema e seus desdobramentos, e chegamos a princípios que norteiam nosso comprometimento com a sociedade, e se traduzem neste documento: o “Compromisso pela Publicidade Responsável para Crianças”.
No que abrange as comunicações de marketing de produtos alimentícios e bebidas destinados a crianças menores de 12 anos de idade em todas as mídias abrangidas, nos comprometemos a:

  • Apenas anunciar produtos para crianças menores de 12 anos de idade que atendam aos critérios nutricionais comuns, definidos de acordo com orientações nutricionais internacionais com embasamento científico aceito; ou
  • Não anunciar produtos para crianças menores de 12 anos de idade.
  • Não realizar comunicações de marketing de produtos alimentícios ou de bebidas em escolas nas quais prevaleçam crianças abaixo de 12 anos de idade.

Estas determinações têm como referência a Política Global de Comunicação de Marketing para Crianças da International Food & Beverage Alliance (IFBA), adotada pela primeira vez em 2009 e atualizada em 2014. Em relação às diretrizes anteriores, destacamos os seguintes avanços:>
1. Alinhamento e padronização de critérios nutricionais do Brasil, que passarão a ser seguidos por todos os signatários a partir de 1º de janeiro de 2017, considerando um período de adaptação até 31 de dezembro do mesmo ano;
2. Monitoramento e auditoria da KPMG do conteúdo e veiculação de publicidade com ênfase nas principais datas comerciais para o público infantil;
3. Aumento da restrição de audiência de público infantil de 50% para 35%. Ou seja, para fins de restrição publicitária deste compromisso, consideram-se audiências infantis aquelas que sejam compostas por 35% ou mais de público abaixo de 12 anos.
Além destas medidas, reforçamos que, individualmente, podemos manter ou adotar critérios de publicidade infantil ainda mais restritivos em relação aos estabelecidos neste Compromisso. Também serão publicados relatórios anuais para demonstrar nossa conformidade com as novas medidas.

Tais avanços estabelecem um marco importante na promoção de autorregulação da publicidade dirigida a crianças, e reforçamos aqui nossa intenção de que haja adesão de novas empresas a este Compromisso, o qual finalizamos com este convite.
Brasil, 12 de dezembro de 2016.

 
O texto acima descreve o que as empresas signatárias se comprometeram voluntariamente a fazer. No vídeo desta semana eu esclareço o que elas NÃO se comprometeram a fazer. O que as empresas se recusam a fazer eu considero até mais importante do que elas estão aceitando fazer. Porque é ali, no que elas não querem fazer, que elas revelam seus verdadeiros interesses.
Para quem quiser entender o tema em profundidade, recomendo acessar os links abaixo, que levam a conteúdos muito esclarecedores, produzidos pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana.
http://bdjur.stj.jus.br/jspui/bitstream/2011/75203/publicidade_infantil_regulacao_leal.pdf
http://criancaeconsumo.org.br/noticias/defensoria-publica-entra-na-justica-para-tirar-ronald-mcdonald-das-escolas/

http://criancaeconsumo.org.br/acoes/coca-cola-industrias-ltda-campanha-de-natal-2015/
http://criancaeconsumo.org.br/acoes/lacticinios-tirol-ltda-linha-tirol-carrossel/

http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/caderno_legislativo.pdf
 

 


Este vídeo tem o apoio da ACT Promoção da Saúde, organização não governamental focada na promoção de políticas públicas de saúde que contribuam para a criação de ambientes saudáveis, em quatro áreas-chave: controle do tabagismo, controle do álcool, alimentação saudável e atividade física.

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