comercial linguiça SadiaOuvi dizer que tem gente furiosa com uma propaganda de linguiça que tá passando na TV. Recebi o press-release sobre a nova campanha da marca e reproduzo abaixo, pra quem quiser saber como a empresa entende a propaganda – ou como ela quer ser vista.

SADIA APRESENTA CENAS DA VIDA MODERNA EM NOVA CAMPANHA

Filmes vão retratar o elo contemporâneo entre as pessoas, o cotidiano e a comida

Desde sua origem, em meados da década de 40, a Sadia adota uma postura vanguardista e pioneira, tanto em seus lançamentos, quanto em sua comunicação. Em 2015 não será diferente. A partir de abril, a nova campanha da marca, “Crônicas da Vida Moderna”, vai reforçar esta postura abordando cenas do dia a dia sob um olhar moderno, característico de Sadia. “A ideia é conectar a marca ao nosso tempo, aproximando-a das discussões atuais e dos nossos consumidores”, revela Andrea Salzano, diretora de marketing da Sadia.

Assinada pela agência F/Nazca Saatchi&Saatchi, “Crônicas da Vida Moderna” inicia com dois filmes – entre eles Frango Fácil e Linguiça Calabresa – e a assinatura “Moderno é Sadia”. “Os roteiros criados são situações rotineiras atuais, como a mulher moderna que viaja a trabalho, discussões de casais e a convivência entre pais, filhos, amigos e a tecnologia”, afirma Andre Lopes, gerente executivo da marca Sadia.

Essa campanha marca um novo momento da marca, que busca se conectar cada vez mais com seus consumidores, ajudando a atualizar a relação do brasileiro com a comida. A Sadia vai se inspirar na realidade dos consumidores para trazer para a comunicação cenas cotidianas da sua vida, ambiente e relações. Desta forma, além de retratar a cultura, a marca mostra uma visão atual dos hábitos e conversas da sociedade moderna.

Frango Fácil

O primeiro filme da campanha “Crônicas da Vida”, que estreou dia 16, tem o produto Frango Fácil Sadia como protagonista. Em meio às dificuldades de conexão e às confusões de fuso horário, a situação cotidiana relatada é uma conversa entre um casal, por meio de uma ferramenta digital. A mulher está viajando a trabalho e o marido, preparando uma refeição. Apesar das reclamações, ele conta que está preparando um frango e detalha o suposto longo processo de preparo: descongelar por horas, temperar e assar. A conexão da internet cai e quando voltam a se falar, o prato já está pronto, servido à mesa. Questionado sobre como o produto ficou pronto tão rápido, ele coloca a culpa no fuso horário. “A mensagem é que, com Frango Fácil Sadia, nunca foi tão simples e rápido comer um frango gostoso e suculento”, comenta Andrea.

Linguiça Sadia

Na mesma data, estreou também outro filme para apresentar a versão com redução de sódio da Linguiça Calabresa Sadia. Com uma boa dose de humor, o filme exibe a conversa entre duas amigas que não se encontram há tempos. Uma delas pergunta o que a outra tem feito para manter a jovialidade, a outra então responde que sempre come Linguiça Sadia, feita com 30% menos sódio. Finaliza, no entanto, comentando que também se separou.

Ambos os vídeos são de 30″ e terão uma série de vinhetas de 10″,5″ e 3″ em rede nacional, além de outras mídias alternativas que complementarão o plano. ”Nós buscamos inspiração na simplicidade das situações cotidianas. Mas aquelas fortemente influenciadas pelas mudanças culturais que vivemos neste nosso dia-a-dia. E também, claro, aquelas que seriam suficientemente curiosas à ponto (sic) de virarem histórias que contaríamos para os amigos – ou que teriam potencial para virarem até um comercial de tv”, comenta Fabio Fernandes, presidente e diretor geral de criação da F/Nazca.

Interessante observar como a indústria se empenha em captar a “cultura” do consumidor para que este se identifique com a mensagem da marca. Desde o meu mestrado eu vivo repetindo pro pessoal da nutrição e da saúde pública: não dá pra competir com esse tipo de comunicação ignorando esse tipo de estratégia. Observemos e aprendamos.

Um exercício pras nutris: como aproveitar a mesma situação apresentada nas propagandas para sugerir ao paciente/ consumidor uma atitude mais inteligente? Partindo dos argumentos da marca — o de que as pessoas querem soluções fáceis e rápidas para matar a fome, o de que a comida é uma forma de ter prazer etc. –, o que pode ser oferecido como solução saudável e tão prática e rápida quanto o cliente deseja?

Conheço nutricionistas que sabiamente se aproximaram da culinária e da gastronomia para trazer a seus pacientes um conjunto de sugestões mais reais e mais agradáveis. Se a pessoa precisa comer de forma mais saudável e ao mesmo tempo quer — e precisa — continuar tendo prazer nas refeições, nada mais adequado do que aprender a cozinhar algumas receitinhas rápidas e deliciosas e a selecionar produtos de qualidade para compor uma dieta equilibrada e jamais sem graça.

O desafio que temos em comum — eu, as nutricionistas, as entidades de defesa do consumidor, os ativistas da agricultura familiar sustentável, os orgânicos, os gourmês e tantos outros batalhadores da causa da boa alimentação — é comunicar direito as vantagens de partir para a culinária e para a horta caseira em vez de entregar-se às falsas facilidades da comida industrializada turbinada com aditivos que as tornam hiperpalatáveis e viciantes. É o desafio da semiótica, da linguística, do design, do que for necessário para cooptar cada vez mais público para o lado de cá.

Enquanto isso, sabemos, a indústria continuará se esforçando e investindo pesado pra manter e levar mais gente pro lado de lá. A briga é cruelmente desigual. Mas os heróis são aqueles que não desistem. A gente tá aqui pra isso.

One Comment

  1. Tem um problema muito real aí que é o viés do presente (também chamado de inconsistência dinâmica). Humanos, quando precisam escolher entre um benefício no futuro distante e um benefício imediato, tendem a escolher o imediato, mesmo quando este é muito menor, ou até negativo. Por isso a gente deixa para comer saudável e fazer exercícios quando a velhice chegar, ou quem sabe um pouco antes, mas eu ainda sou novo, tenho tempo pra começar depois.

    As “falsas facilidades” se apoiam nesse viés. Um jeito de combatê-lo é deixando ele explícito. Por exemplo, no seu vídeo sobre macarrão, você sugere que a pessoa faça o molho antes e guarde em porções. Claro que essa é a melhor estratégia de todas, mas também é claro que só uma fração pequena das pessoas vai fazer isso. O design de vida saudável passa por isso, como identificar as armadilhas e se proteger. Você, os nutris, e todo mundo que valoriza isso precisam de novas ferramentas, mas não sei se a semiótica basta. Acho que existem ferramentas de planejamento, e um conjunto de habilidades culinárias que é mais “core”, mais essencial. Tem que achar esse conjunto e começar por ele.

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